O Porto é uma cidade de pontes, e o único sítio de onde se veem todas como deve ser é do meio do rio. Eis o que está a ver, subindo o rio a partir da foz.
Ponte da Arrábida (1963)
A primeira que passa ao sair da Douro Marina. Quando foi inaugurada, o seu arco de betão de 270 metros era o mais comprido do género no mundo — uma afirmação de engenharia de Edgar Cardoso, que queria provar o que o betão armado conseguia fazer.
Da água percebe-se a escala de um modo que nunca se sente a atravessá-la de carro. Olhe para cima ao passar por baixo: o arco nasce da rocha em ambas as margens quase sem nada pelo meio.
Ponte D. Luís I (1886)
A dos postais, e a razão pela qual quase todos trazem uma máquina fotográfica. Dois tabuleiros, um arco em ferro forjado, e um desenho de Téophile Seyrig — que tinha trabalhado com Gustave Eiffel na ponte rio acima.
É aqui que paramos para o momento fotográfico. O tabuleiro superior leva o metro e os peões; o inferior leva o trânsito e a ligação a pé entre a Ribeira e o Cais de Gaia. Visto de baixo, o gradeamento lê-se como uma única curva contínua.
Ponte do Infante (2003)
A mais recente das pontes centrais, e deliberadamente discreta — um único arco de betão pensado para estar tranquilamente ao lado dos vizinhos famosos em vez de competir com eles. Fácil de não reparar se ninguém a apontar.
Ponte de D. Maria Pia (1877)
A ponte de Eiffel, e a mais antiga ainda de pé. Construída para o caminho de ferro, desativada em 1991, e deixada no lugar porque a ideia de a derrubar era impensável. Tem uma leveza que as outras não têm — só ferro em treliça, quase transparente contra o céu.
Batizada em homenagem à Rainha D. Maria Pia de Sabóia. Repare na diferença do ferro entre esta e a D. Luís I: a mesma linguagem visual, nove anos de intervalo, pelos mesmos dois engenheiros que tinham trabalhado juntos.
Ponte de São João (1991)
A ponte que substituiu a Maria Pia no tráfego ferroviário. Três vãos de betão, sem ornamento, construída para comboios de alta velocidade. Fica mesmo ao lado da ponte mais antiga, o que torna o contraste entre 1877 e 1991 invulgarmente fácil de ler.
Ponte do Freixo (1995)
A mais a montante das seis, que leva a circular. Na maioria das partidas viramos antes de lá chegar, mas num dia limpo dá para vê-la da água.
O que reparar entre as pontes
As pontes são os marcos, mas os troços entre elas guardam os pormenores:
- Massarelos — a igreja no alto e a antiga zona de pesca e lota logo abaixo.
- Jardins do Palácio de Cristal — os jardins na encosta, vistos melhor da água, onde os socalcos fazem sentido.
- Alfândega — a antiga Alfândega do Porto, com argolões históricos de amarração ainda encastrados na pedra junto à água.
- Cais de Gaia — os barcos rabelos amarrados em frente às caves de vinho, na margem de Vila Nova de Gaia.
Vê-las por si
Todas as nossas partidas passam pela Arrábida, D. Luís I, Maria Pia e São João, com uma paragem dedicada sob a D. Luís I para fotografias. O percurso pode variar consoante as condições do rio, meteorológicas e de segurança — mas as pontes não vão a lado nenhum.



